A peleja de um sabido contra 9 pato marreco
Lá em Palmerina
Pertinho de um bananal
Desmorreu Seu Matias
Um rapaz sensacional
Correu da bexiga preta
Que levava todo mundo
Pois lhe disse o Dono do céu
Olhando pro moribundo:
-Levante dessas palha
Bananeira num é caixão.
Tu sôi muito destemido
Vá ganha esse mundão!
Pruque sei que sôi danado
E de forma inteligente
Vou dizer daqui pra frente
Quero tu empareado
Vou te dá uma moça linda
Ela é doce como o mel
Parece floco de núvi
Descida aqui do céu
Quem tem linda até no nome
Tem valor sentimental
Um beijo dessa Lindura
Vale mais de cem real
Nem tudo que é correto
É feito do jeito certo.
O esperto já foi besta
Hoje o besta é o esperto
De fi tu vai ter um penca
Pra se lembrar do bananal
Vai ser tudo militá
Com uma força animal
Vai ter uns voando no céu
Outros nadando no mar
Uns tantos corrêno no chão
Num falta lugar pra brincá
No quarté tem uma história
Que é boa de contá
Começa com um pau duro
Pro capitão ajeitá
O capitão indignado
E cuspindo fogo no chão
Falô pra todos soldado
-Tua mãe que é da profissão
O negão com o pau duro
E a calça pra fechá
Correu todo mufino
Com o pau a aumentá
E um dia numa pescaria
Contando sem exagero
Camarão com querosene
Esse foi o tempero
Nadando do fundo do mar
Vinhéru os camarão
Caíru no panelao
Pro teu bucho esquentá
Mas com a cachaça perene
Zuada e confusão
Até o querosene
Jogáro no camarão
Botaro tanto combustive
Pra esquentá o feijão
Que a pobre da brasilia
Quase que vira um torrão
Tu ficasse bem pretin
E corresse pra estradêra
Com inspiração de sobra
Pedir ajuda na carrêra
Até fazêno desgraça
Seu canto tem beleza
Proquê recebeu as aula
Do messtre da natureza
Nessa vida atroz e dura
Tudo pode acontecer
De tu tremenda figura
Netos lindo vai nascer
Mas quando tu conta estória
De dá nó em pneu de tratô
Com toda tua oratória
Engana até doutô
Convence a todo mundo
O que agora eu vou contá
O causo de um sabido
só num venha me julgá
Os 9 marreco branco
Que matasse com um tiro só
Tava tudo num barranco
E abotoaro os paletó
Só que Paixão também viu
Que era marreco escuro
Tem couro duro que nem quati
Isso sim eu falo e juro
Os bicho merredô
É os tal dos marreco branco
E os preto nem sonhadô
Nem lapada de tamanco
Então tu pensou ligeiro
Sabido todo que sôis
Deu um pulo de guerreiro
Daqueles de arrebenta-bois
Pois num é que aconteceu
Que os 9 marreco escuro
Do susto que sofreu
Ficaro branco e inseguro
Tu sabendo que os marreco
Todo branco é morredô
Deu-he logo um peteleco
E morreu tudin, Sim sinhô
Essa estória é contada
Em prosa verso e poesia
Ela já não é privada
Sabe até a Ave-Maria
Calejado pelos anos
Com noventa anos de idade
Mas com plena lucidez
Muita sensibilidade
O desafio tá lançado
Vamu ver quem vai ganhar
Vovó Laurinda te passou
Tu vai deixar como está?
Eita presente arretado
Coisa assim ninguém viu
Toda família tem gente feia
Mas a tua só tem sadio
Aqui num tem um
Que seja fraco de feição
Tem mais bonito na Rocha
Do que sol no meu sertão
Vou correndo agora
Pro meio da festaria
Gente bonita num falta
Comida então, sem mincharia
Ano que vem eu vorto
Cantano minhas poesia
Fraca de rima a danada
Mas feita sem carestia
Pra quem gosta de ouvir
Acontecença matuta
Dê uma prosa com Matias
Ele é o mestre da batuta
Vou ficando por aqui
Com poesia pra contá
Você na terra e eu no céu
Conte de lá que eu conto de cá.











